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Diarréia e Intoxicação Alimentar no Verão
Dra. Rosa Leonôra Salerno Soares
Professora Doutora do Departamento de Medicina Clínica e Líder de Grupo de Pesquisa sobre Doenças Intestinais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense – UFF Niterói, Rio de Janeiro, Brasil;
Contato: rosaleonora@gmail.com
O que é diarréia?
Diarréia é definida como o aumento do número de evacuações, acompanhado da diminuição da consistência das fezes. Do ponto de vista clínico ela pode ser dividida em diarréia aguda e crônica. A diarréia aguda caracteriza-se pelo início súbito, sendo a forma mais freqüente de apresentação no verão. A causa mais freqüente de diarréia aguda é pela ingestão de alimentos contaminados, sendo definida como intoxicação alimentar.
Quais são os sintomas?
Junto com a diarréia, o quadro clínico da intoxicação alimentar inclui náuseas, vômitos e dor abdominal que varia em intensidade. Os sintomas aparecem em um período que varia de 6 a 24 horas após a ingesta dos alimentos contaminados. Em um grande número de casos os sintomas predominantes são náuseas, vômitos e dor abdominal sem diarréia.
Por que as pessoas estão mais suscetíveis à intoxicação alimentar no verão?
Observamos maior suscetibilidade à intoxicação alimentar nos meses do verão e no final da primavera, porque as temperaturas e a umidade do ambiente estão mais altas, dificultando a conservação dos alimentos. Nesta época, os cuidados para evitar a contaminação microbiológica dos alimentos devem ser redobrados. As crianças menores e os idosos são mais suscetíveis às complicações da intoxicação alimentar em decorrência da possibilidade de desidratação.
Quais os alimentos mais fáceis de estragar e provocar a intoxicação alimentar?
Quanto maior o teor de proteína e gordura do alimento, mais fácil ele é contaminado. As carnes em geral, a maionese e os crustáceos são um exemplo disso.
Alimentos vendidos na praia, como camarão, queijos e sanduíches naturais, podem ser consumidos?
Como foi dito acima, os cuidados com a refrigeração e o manuseio dos alimentos são fundamentais para conservação. Nas praias, além da alta exposição solar, os refrigeradores estão longe do local de consumo dos alimentos. Camarão e queijo são muito ricos em proteínas e gorduras, e os sanduíches naturais (nem tão naturais assim) geralmente incluem pastas com maionese que também têm grandes chances de contaminação. Além disso, é preciso lembrar que um alimento muito consumido no verão é o palmito, que facilmente se deteriora em condições inadequadas.
Em caso de diarréia aguda no verão, como se deve agir?
Se houver suspeita de diarréia aguda associada à intoxicação alimentar, e os episódios de náusea forem acompanhados por aumento do número de evacuações, principalmente em idosos e crianças com menos de 5 anos, é aconselhável procurar um serviço médico de pronto atendimento (postos de saúde e hospitais) para avaliar a necessidade de hidratação venosa.
Em caso de não haver postos de saúde e hospitais próximos, o que fazer?
Caso seja possível, começar o tratamento em casa logo após o início do quadro. Ofereça ao paciente soluções isotônicas e soro caseiro em pequenos volumes por vez a cada hora. Prefira líquidos mais gelados porque são mais bem tolerados por pacientes com náuseas e vômitos. Se após 6 horas do início do quadro os sintomas pioram, e o paciente não consegue ingerir o líquido por via oral, a procura por atendimento em unidade de saúde é necessária.Não ofereça alimentos sólidos nas primeiras 6 horas que se seguem ao início dos sintomas, pois podem piorar o quadro clínico de vômito e diarréia.
Outros cuidados importantes incluem a verificação da temperatura corporal com um termômetro e a observação do aspecto das fezes. Em caso de febre e presença de sangue ou muco (semelhante ao catarro) nas fezes, suspeita-se de quadros mais graves. Nesses casos a procura por atendimento em unidades de saúde deve ser imediata.
Remédios para o estômago são indicados?
Na maioria das vezes não se deve medicar o paciente fora do ambiente das unidades de saúde, com exceção da oferta de líquidos, como dissemos acima. Os vômitos e a diarréia são mecanismos de defesa do corpo para expulsão do alimento contaminado, e remédios só devem ser prescritos e administrados nas referidas unidades de saúde.
Qual o ciclo da intoxicação alimentar?
Na maior parte dos casos os episódios são autolimitados. O indivíduo ingere o alimento contaminado, inicia o quadro clínico em 6-24 horas após a ingesta, e em torno de 48 horas após os episódios de náusea e diarréia cessam.
Como evitar a diarréia e a intoxicação alimentar em viagens?
Além dos cuidados habituais já citados, é necessário pesquisar sobre o sistema de tratamento de água e as condições de saneamento da cidade ou país em questão. Em áreas de saneamento básico precário, ingerir apenas água mineral, ou até mesmo refrigerantes conhecidos. Evite consumir, além dos alimentos vendidos ao ar livre, os sucos ou sorvetes preparados e manuseados na região visitada.