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30/06/2009

Esquizofrenia uma realizade, na mídia!

Conheça-a e a combata, antes que ela vença você!

Esquizofrenia: mídia e realidade

 

Carla Garcia
Jornalista

Não é a primeira vez que o tema esquizofrenia é abordado na mídia e nos cinemas para que possa gerar discussão e interesse popular. Segundo o Dr. Fernando Lacaz, do Programa de Esquizofrenia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), na época do filme "Uma Mente Brilhante" comentou-se muito sobre o assunto e várias matérias sobre o tema foram divulgadas. “Com o passar do tempo, o interesse pela esquizofrenia ficou relegado aos profissionais de saúde mental, passando novamente a ser banalizada e estigmatizada, perdendo espaço na mídia especializada séria. A novela promoveu novamente o interesse pelo tema. Podemos ver jornais, revistas e outros meios de comunicação falando sobre, convidando especialistas e portadores a se pronunciar e gerando discussões a respeito do estigma relacionado à doença.”
Há ainda outros casos de filmes e novelas em que associam esquizofrenia e loucura com fraqueza de caráter ou a personalidades psicopáticas. Lacaz conta que, em muitas novelas da televisão brasileira, o vilão passa toda a trama taxado como psicopata perverso e no final é punido com a morte ou enlouquecimento. “Transmitem com clareza a ideia de que loucura e doença mental estão relacionadas com transtornos da personalidade antissocial”, diz. Já nos filmes, pacientes portadores da doença são mostrados como criminosos perigosos e são frequentemente relacionados à violência. Lacaz completa: “Os casos de violência em? esquizofrenia não são a característica principal dos doentes, ficando restritas a uma pequena porcentagem deles. É muito comum também observarmos a confusão entre diferentes transtornos psiquiátricos, como transtorno afetivo bipolar, transtorno de personalidade borderline, transtornos de base orgânica, etc.”.

O dia a dia de um portador de esquizofrenia é agitado. Olzaneide Carvalheiro, que coordena uma associação que dá apoio a familiares e portadores de transtornos mentais, conta que a pessoa que possui a doença, nas crises ou surtos, pode desenvolver: confusão mental, delírios (especialmente os caracterizados como de "autorreferência", achando que todos estão perseguindo-o, de alguma forma), alucinações, depressão, insônia e outros. “Isso afeta a família, amigos, companheiros de trabalho e estudos, pois a pessoa passa a ter comportamentos muito diferentes de sua forma de agir”, complementa. No caso da "autorreferência", às vezes, os que estão ao redor do portador acreditam e passam também a procurar os "perseguidores".
Quando a pessoa que tem esquizofrenia é encaminhada ao psiquiatra, para a aceitação do transtorno e do tratamento, é necessário tempo, além da adaptação com os medicamentos, pois trazem muitos efeitos colaterais. No início do procedimento médico, ocorre uma melhora e há pessoas que chegam a parar o tratamento por acharem que estão curadas, o que é um engano, pois, como afirma Olzaneide, “ao parar os tratamentos, provavelmente ocorrerá outra crise, talvez igual ou pior à primeira. É necessário ter um bom suporte psiquiátrico, o que geralmente não ocorre (ter um bom e disponível apoio psiquiátrico é privilégio de poucas pessoas)”.

A evolução da doença é muito variável e Lacaz conta que observou que parte dos pacientes que ele cuida (aproximadamente 30%) teve uma boa evolução, conseguindo manter atividades sociais e profissionais. Por outro lado, 40% tendem a ter uma evolução instável, apresentando períodos de melhora e piora, em geral precisando de terapias específicas (terapia ocupacional, grupos operativos e oficinas abrigadas). Normalmente residem com familiares, têm atividades profissionais assistidas ou mais simples. Um terceiro grupo de pacientes (30%), em geral, responde mal ao tratamento convencional devido à persistência dos sintomas ou a uma rápida evolução para a síndrome deficitária, comprometendo a capacidade de autonomia desses indivíduos. As atividades costumam ficar restritas ao lar ou a oficinas e grupos terapêuticos.
O apoio familiar é fundamental para a boa recuperação do portador de esquizofrenia, mesmo que a ocorrência do transtorno mental em alguém da família seja aceita de forma surpreendente. Geralmente ocorre na idade jovem (de 19 a 30 anos) e as pessoas costumam ter expectativas frustradas quanto ao futuro do portador da doença. É essencial ajudar e cuidar para conseguir a recuperação e posteriormente a ressocialização.

Eugen Bleuler, importante psiquiatra do início do século XX, foi o responsável por nomear a doença com o nome de esquizofrenia e agrupou os pacientes em quatro grupos principais:

Esquizofrenia Paranoide
: Onde predominavam os distúrbios do conteúdo do pensamento, principalmente delírios e alucinações. Em geral o funcionamento cognitivo, volitivo e afetivo destes pacientes era pouco afetado no início da doença.

Esquizofrenia Catatônica
: Onde predominavam os distúrbios psicomotores, ou estupor, rigidez muscular e flexibilidade cérea, ou episódios de agitação psicomotora despropositada.

Esquizofrenia Hebefrênica: Onde predominava o comportamento impulsivo, desorganizado, o afeto pueril, a desagregação do pensamento. Em geral com grave prejuízo afetivo, volitivo e cognitivo. De início mais precoce que os outros grupos, costuma acometer o indivíduo antes dos 18 anos.

Esquizofrenia Simples: De difícil diagnóstico, caracterizada basicamente pelos chamados sintomas deficitários ou negativos. Nestes casos são infrequentes delírios, alucinações, distúrbios motores ou comportamento desorganizado. Predomina o retraimento social, a hipobulia, a perda de interesse e a pobreza de discurso. Neste grupo o antecedente pré-mórbido em geral é bom.

Segundo Lacaz, recentemente a esquizofrenia foi dividida em tipo I (ou síndrome positiva): Com predomínio de delírios e alucinações, poucas alterações na estrutura cerebral e boa resposta à terapia com antipsicótico; e Tipo II (ou síndrome negativa): Onde predomina o achatamento afetivo, a hipobulia, a pobreza de repertório. Alterações estruturais cerebrais são mais frequentes e a resposta ao tratamento medicamentoso é pobre. Neste grupo o antecedente pré-mórbido já é afetado.
Diante da descoberta da doença e da primeira crise, Olzaneide recomenda o que deve ser feito: “Manter a calma, informar-se, buscar ajuda para si, para a família e para o doente, levar o doente a tratamento, o mais breve possível. Muitas vezes é necessária a internação, às vezes até involuntária (se o portador tiver colocando sua vida ou a de outros em risco). A pessoa deve ser encaminhada a um serviço psiquiátrico ou pelo menos a um pronto-socorro (que terá obrigação de encaminhar o caso para ajuda especializada)”. E complementa afirmando que é preciso ter coragem para tomar essas atitudes citadas, para evitar maiores complicações e males para o portador da doença.

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